sábado, 25 de abril de 2015

150 Anos de Nascimento do Marechal Cândido Rondon

SOBRE OS SELOS
Os pilares da vida e obra do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon são destacados nos selos que marcam os 150 anos do seu nascimento. O primeiro selo faz referências a sua fase de sertanejo, mostrando a casa onde foi criado. O segundo selo, à direita, destaca a Escola Militar da Praia Vermelha e um folheto da Igreja Positivista, instituições fundamentais na formação do homenageado. Os três selos seguintes complementam a cronologia de sua obra, demonstrando a sua importância para as comunicações, cujo trabalho foi marcado pela proteção aos índios e pelo desbravamento do interior do Brasil. No último selo, a fase militar, onde se vê o carro utilizado durante a inspeção de fronteiras, a insígnia de Marechal, e Rondon com seu uniforme de gala. A técnica utilizada foi a computação gráfica.
Lançamento 4 de maio de 2015  - Arte: Lídia Marina Hurovich Neiva
Dimensões 40 x 30 mm - Valor Facial 1o. Porte Carta Comercial

Texto descritivo do Edital
150 anos de Nascimento do Marechal Cândido
Mariano da Silva Rondon
“Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideais e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva.” (José Murilo de Carvalho).
Em 5 de maio de 1865, na Sesmaria do Morro Redondo, em Mimoso, no estado do Mato Grosso, nasceu Cândido Mariano da Silva Rondon, filho de Cândido Mariano da Silva e Claudina de Freitas Evangelista da Silva. Perdeu os pais muito cedo, e foi criado em Cuiabá, pelo tio, de quem herdou o sobrenome "Rondon".
Em dezembro de 1864, seis meses antes de seu nascimento, iniciavam-se os primeiros combates do maior conflito armado da América Latina, a Guerra da Tríplice Aliança, que levaria brasileiros, argentinos e uruguaios a terçar lanças com as tropas invasoras paraguaias de Solano Lopez.
Foi nesse turbilhão de eventos políticos e de embates de heróis como Caxias, Osório, Sampaio, Mallet, Villagran, Severiano da Fonseca, Antônio João e tantos outros, que nasceu o futuro Patrono das Comunicações, reconhecido como construtor de linhas telegráficas, protetor dos indígenas e explorador que, ao todo, percorreu mais de 100.000 quilômetros de sertão, através de picadas na floresta, caminhos, estradas e rios.
Órfão, oriundo de uma família de poucas posses, optou pela carreira militar, incorporado como soldado, em 1881, no 3º Regimento de Artilharia a Cavalo, em Cuiabá. Como outros jovens, num Brasil de raras oportunidades de ascensão social, viu no Exército a perspectiva de construir seu futuro, ingressando, dois anos depois, na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.
Em 1886, entrou para a Escola Superior de Guerra, participando ativamente do movimento pela Proclamação da República. Fez o curso do Estado Maior de 1ª Classe, sendo promovido a alferes, em 1888. Graduou-se em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais, destacando-se nos movimentos abolicionista e republicano. Em 1889, participou da construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá, assumindo a chefia do distrito telegráfico de Mato Grosso. Foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras do Paraguai e da Bolívia.
Em 1907, teve início a Comissão Rondon, sua obra mais importante, com a construção da linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antônio do Madeira. Foi a primeira a alcançar a região amazônica. Nessa mesma época estava sendo feita a ferrovia Madeira-Mamoré, que, juntamente com a Comissão Rondon, favoreceu a ocupação e a integração do que hoje é o estado de Rondônia. Foram realizados levantamentos cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos, etnográficos e linguísticos da região percorrida nos trabalhos de construção das linhas telegráficas. Por sua contribuição, recebeu homenagens e condecorações de várias instituições científicas do Brasil e do exterior.
“A construção da linha telegráfica foi o pretexto. A atividade de exploração cientifica foi tudo”, disse o antropólogo Edgard Roquette-Pinto. Convidado pelo governo brasileiro para ser o primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910, Rondon foi incansável defensor dos povos indígenas do Brasil. Dessa luta ficou famosa a sua frase: - "Morrer, se preciso for; matar, nunca.”
Entre 1º de outubro de 1924 e 12 de junho 1925, exerceu o comando das tropas legalistas que recalcaram os tenentes rebelados (Tenentismo), liderados pelo General Isidoro Dias Lopes, em Santa Catarina e Paraná, até as barrancas do rio Paraná. Foi diretor de Engenharia do Exército e, após sucessivas promoções, chegou a general-de-divisão. Em 1930, solicitou sua passagem para a reserva do Exército. Nos anos 40 tornou-se presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), cargo em que permaneceu por vários anos.
O reconhecimento da obra de Rondon extrapolou as fronteiras do Brasil. Teve a glória de ter seu nome escrito em letras de ouro maciço no Livro da Sociedade de Geografia de Nova Iorque, como o explorador que penetrou mais profundamente em terras tropicais, ao lado de outros imortais como Peary e Amundsen, descobridores dos polos Norte e Sul; e Charcot e Byrd, exploradores que mais profundamente penetraram em terras árticas e antárticas.
Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal, e, no ano seguinte, o então Território Federal de Guaporé, passou a ser chamado de Rondônia em homenagem ao seu desbravador. Faleceu, no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, aos 92 anos.
A tenacidade, a dedicação, a abnegação e o altruísmo, atributos marcantes de sua personalidade, o fizeram merecedor, com indiscutível justiça, do título de Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro, sendo sua data natalícia tomada como o Dia Nacional das Comunicações.
General de Brigada
CARLOS ROBERTO PINTO DE SOUZA
Comandante de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército

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