quarta-feira, 31 de outubro de 2018

História da Computação Brasileira

SOBRE OS SELOS
A emissão é composta por três selos que apresentam uma reprodução frontal dos primeiros estudos e projetos de computadores nacionais: o “Zezinho”, o “Patinho Feio” e o Cobra-530, este o primeiro computador comercial totalmente produzido no Brasil. Para registrar a história, o artista inseriu as datas de finalização dos projetos e matizou cada um deles em tons de azul, verde e amarelo, fazendo referência à bandeira nacional. A ilustração foi realizada no estilo Flat Design e computação gráfica. Na folha de selos consta uma citação de Alan Turing, considerado o Pai da Computação, escrita em código binário ASCII.
Data do Lançamento: 15/10/2018 - Dimensão do selo 40 x 30 mm - 
HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO BRASILEIRA
O desenvolvimento tecnológico apresenta-se como um permanente desafio para o Brasil. Nessa empreitada, a Engenharia Militar sempre se destacou por sua significativa contribuição na promoção da cultura científico-tecnológica, visando garantir o domínio de competências em diversas áreas de interesse da soberania nacional.
Desde a criação da “Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho”, em 1792, considerada a primeira Escola de Engenharia das Américas e a terceira do mundo até os dias atuais, a Engenharia Militar tem a nobre missão de qualificar civis e militares, inteiramente dedicados ao desenvolvimento nacional. Ao longo do tempo, essa Academia mudou de nome, tendo recebido, entre outras, as denominações de “Escola Técnica do Exército” (EsTE), e, finalmente, “Instituto Militar de Engenharia” (IME).
Em sua secular trajetória de pioneirismo acadêmico, destaca- -se a importante contribuição no campo da informática. Em 1958, alunos da EsTE, sob a orientação dos professores do curso de eletrônica — Major Antônio Maria Meira Chaves, Major Antônio José Duffles Amarante, Major Werther Aristides Vervloet, Major Danilo Marcondes e o Dr. Helmut Theodore Schreyer — iniciaram o projeto da “Lourinha”, apelido carinhoso dado ao primeiro computador desenvolvido no país.
Em dezembro de 1960, como projeto de fim de curso, foram apresentados dois computadores (um analógico e outro digital), desenvolvidos pelos alunos José Augusto Mariz de Mendonça, Jorge Muniz Barreto, Herbert Baptista Fiuza, Edison Dytz, Mário de Moura Alencastro e Walter Mario Lace. O resultado era um conjunto que, além da parte digital, incluía circuitos analógicos capazes de simular, em tempo real, sistemas de equações diferenciais, resolvendo problemas complexos. A “Lourinha” materializa um importante legado, comprovando a real capacidade da Engenharia brasileira em romper os limites que cerceiam a tecnologia nacional e constituindo-se em grande fonte de inspiração às novas gerações.
Em 1961, alunos do “Instituto Tecnológico de Aeronáutica” (ITA), juntamente com a “Escola Politécnica”, da Universidade de São Paulo (USP) e a “Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro” (PUC/Rio), apresentaram, como trabalho de conclusão de curso, um equipamento didático que mostrava como a informação se processava no interior de um computador. Essa máquina, denominada “ITA I” e apelidada de “Zezinho”, foi construída com transistores discretos, usando soquetes de válvulas para demonstração e uso em laboratório. Tinha dois metros de largura por um metro e meio de altura.
Em julho de 1972, o Laboratório de Sistemas Digitais (LSD), do Departamento de Engenharia da Eletricidade, da Escola Politécnica da USP, inaugurou um novo projeto denominado "Patinho Feio". O trabalho foi 100% desenvolvido com recursos próprios e alcançou plenamente seus objetivos de habilitar jovens a projetar e a desenvolver computadores.
Animado com o resultado do “Patinho Feio”, o Grupo de Trabalho Especial (GTE) encomendou um protótipo de computador ao Laboratório de Sistemas Digitais da USP, que faria o "hardware", e ao Departamento de Informática da PUC do Rio de Janeiro, que faria o "software".
Batizado de “G-10”, foi concluído e entregue em 1975. Baseado no “G-10”, foi desenvolvido o “Cobra-530”. Esse foi o primeiro computador totalmente projetado por técnicos brasileiros, criado e industrializado no Brasil. O “Cobra-530” era altamente competitivo em preço e capacidade com os microcomputadores estrangeiros. Esse projeto marca o início da indústria da informática no Brasil.
Bibliografia/Bibliography: CARDI, Marilza de Lourdes et BARRETO, Jorge Muniz. Primórdios da Computação no Brasil CARDI, Marilza de Lourdes. Evolução da computação no Brasil e sua relação com fatos internacionais. Florianópolis: UFSC, 2002.

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